Carta do JP aos papás, parte I
Adorei a carta do meu “sobrinho” Martim aos papás dele, que fazem hoje anos e achei que o JP também podia escrever uma aos pais…
Aqui vai ela:
Mamã querida e papá do meu coração:
Escrevo cansadinho, logo depois de uma sessão de hidroterapia. Nadei muito e diverti-me bastante na água. Sinto-me como se ainda estivesse na barriguinha da mamã, mas ainda melhor, pois senti-te muito tensa enquanto me esperavas, mas acariciavam a barriga e falavam comigo e eu lá me acalmava. Cá fora é melhor. Senti isso mal me pegaste no colo, mamã… O carinho com que o fizeste… o teu sorriso de orelha a orelha… O início da minha vida foi tranquilo. Eu e a mamã, a mamã e eu. Às vezes também o papá… dormíamos sestas, juntinhos. Quando estava acordado, queria um colo o tempo todo. Doía-me a barriga e quando estava ao teu colo melhorava muito. O colo era-me sempre dado. Achei que valia a pena viver… Era bom estar aqui para ser assim amado. E o mundo era giro… Demonstrei-vos, mamã e papá, quando sorri intencionalmente pela primeira vez às sete semanas. Quis que soubessem que estava bem. Sentia-me bem. E nunca mais parei de sorrir. Sempre.
Ia visitar muitas vezes as ‘batas brancas’, acho que lhe chamavam médicos do desenvolvimento, neurologistas, fisiatras, que acharam que era melhor eu fazer ginástica. Foste tu, mamã, que fizeste muita questão! Ai, não gostava nada daquilo e não me calava! Vocês tinham de saber que eu não estava nada de acordo, mas de facto ajudou-me a melhorar e agora até me divirto muito com a minha fisioterapeuta…
(continua)