Carta do JP aos papás, parte II
(continuação)
Com quatro cinco meses fui para a natação. Reclamava com a água, pois a do banhinho em casa sempre era mais quentinha, mas via-se que gostava, apesar de ainda não gostar de mergulhos e coisas mais radicais. Notou-se logo grandes melhoras. Encontrei depois a minha terapeuta atual, gostei logo da dedicação e do seu jeito de ser, passei para a hidroterapia e agora sim, sou muito radical: escorregas, mergulhos e maluquices, quantas mais melhor! Sou fã da água e até só de molhar a cara a minha disposição muda. A minha mamã, por vezes, afligia-se com a ideia de eu ser especial, mas sempre a vi bem-disposta, com muita vontade de fazer uma vida comigo semelhante à que toda a gente faz com os seus bebés. Apesar dalguns baixos de que me apercebi, ela tinha sempre um sorriso para mim com brincadeira e muitos estímulos, pois receavam que eu pudesse estar afetado da minha cabecinha pensadora e bombardeavam-me com brinquedos giros, livros, brincadeiras feitas com muita vontade. Vão ver que tudo se vai recompondo aos poucos. Deem-me tempo. Os meus pais ensinam-me que, com esforço, as coisas conseguem-se e eu vou ajudar com a minha teimosia natural. Se eu não precisar de fazer muito, melhor para mim, pois sobra mais tempo para brincar…
(continua)