Miúdos em casa…adultos sem ocupações

Há dias ( demasiados) em que me indigno.
Indigno-me com calma, mas indigno-me a sério.
Indigno-me pelas injustiças vividas por quem é pai ou mãe de adultos com deficiência ou condições especiais que os impedem de ficar sozinhos.
A escola acaba (ainda não é o nosso caso — o João Pedro anda na faculdade) e, de repente, o vazio: poucas respostas, as que existem são muitas vezes pouco apelativas, e quase sempre com listas de espera intermináveis.
Sei de tantos casos de pais em casa porque não arranjaram soluções para os filhos adultos ou ainda aguardam pela sua vaga. Mas também sei que o mesmo se passa com os filhos de pais muito idosos e por vezes doentes …
E nós, portugueses, vamos aceitando. Em silêncio. Com tranquilidade aparente.
Sou profundamente grata pelo que já foi conquistado — o estatuto de cuidador informal, o centro de apoio à vida independente, alguns apoios, alguns passos na direção certa .
Mas não chega.
O que nos distingue como seres humanos é isto: cuidarmos uns dos outros. Sempre foi assim. Chamem-lhe oxitocina, instinto, humanidade ….ainda bem que somos como somos.
Cuidar não é só amar.
Cuidar é criar respostas reais que deem liberdade aos pais para terem a vida profissional que desejam e merecem.
Muitos acabam empurrados para a miséria, a viver de subsídios parcos.
Outros tornam-se empreendedores, como eu — porque foram sucessivamente dispensados, ou porque se cansaram de pedir “por favor” sempre que surge um imprevisto que exige atenção a quem depende deles.
Temos pouca cultura de reivindicar.
Mas temos de aprender.
Não por egoísmo.
Mas porque uma sociedade mais justa é uma sociedade mais feliz. E há dinheiro para isso . É tudo uma questão de prioridades . Sempre foi .
Hoje acontece aos outros. Amanhã pode acontecer ao nosso filho, à nossa filha.
E mesmo quem não tem filhos não está imune:pode ser o companheiro, os pais, a vida.
Sou grata pelo caminho feito.
Mas quero mais.
Mais soluções. Mais respostas. Mais dignidade.
Lutando sempre com amor .

Screenshot

Post Anterior

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *