Primeiro filho, Segundo filho

Oiço constantemente as pessoas referirem que educam os filhos da mesma maneira. Eu evidentemente não consigo.
Com o JP foi uma coisa e com o Rafael é outra. Porque eles são diferentes e têm necessidades diferentes. Acho que apenas confio nos meus instintos e espero que estejam correctos. Quando o JP nasceu, eu queria tê-lo sempre ao colo. Adorava o seu calor e cheirinho…passava horas a olhar para ele, a acariciá-lo e massajá-lo. Lia-lhe imenso, passava o dia em casa, sem me aborrecer. A rir e a estimular. Só nós dois.
O JP era um bebé que chorava com facilidade. Teve muitas cólicas,  só estava bem ao colo, adorava adormecer assim. Diziam-me que o iria estragar com mimos…e se calhar até teriam razão, mas eu sentia-me nas nuvens. Ele era sorridente e de gargalhada fácil também. Com o passar dos meses tornou-se muito mais independente. Desabrochou. Tal como o Rafael gostava de  “brincar e gozar” e mostrava ter já uma personalidade cheia de garra e muito teimosa.
O Rafael é um bebé com necessidades muito diferentes. Sempre nos acompanhou a todo o lado, desde as primeiras semanas de vida. Gosta de conhecer pessoas e encantá-las com gracinhas. Odeia estar todo o dia em casa. Nunca mostrou um apego ao colo. Nem consegue adormecer assim. Mas gosta de festinhas, beijinhos e já os dá voluntariamente, principalmente ao JP.
A nossa relação é muito menos intensa mas nem por isso gosto menos dele. Não, não, mesmo ! Não tem menos amor. Tem mais, porque tem o amor do mano também. Terá talvez menos disponibilidade mas só isso.
Apesar de não devermos fazer grandes planos para os nossos filhos, espero conseguir educá-lo para ser um menino às direitas, grande amigo e companheiro do mano. Alguém sensível aos problemas que vê e que quer intervir.
Quando soube que o nosso primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, era também ele irmão mais novo de um paralisado cerebral, tive algumas esperanças. A sua actual esposa é também alguém ligada a esse mundo, visto que é fisioterapeuta. 
Em todos os discursos ele se dirige também aos cidadãos com deficiência. Esteve na cerimónia de abertura dos paralimpicos. Pousou ao lado deles…mas e medidas ? Inclusão nas escolas ? Produtos de apoio ? Porque está cada vez mais difícil, cada vez vemos mais desigualdades e injustiças, tudo em nome cumprimento das metas da Troika ? 
Vejo os pais, vejo-me a mim, a sofrer todos os anos, o desgaste, a comprometerem os empregos, a sua estabilidade emocional por causa dos atrasos na colocação dos filhos nas escolas e parece que ninguém vê isto. Vejo pais cansados demais para protestar. Outros que fazem barulho suficiente por todos os outros mas que se vêem obrigados e expôr-se mesmo não desejando…e a desgastarem-se, em nome de condições para os filhos. Porque pelos filhos, o que não fazemos ?
Deixo um mail da Assembleia da República para quem está nesta situação poder relatar a sua situação. Denunciem todas as situações de discriminaçao como não ser aceite em ATL ou CAF, problemas na escola , etc. 
Comissao.8A-      mail:     CECCXII@ar.parlamento.pt

Prometo aos meus dois filhos, (que apesar de termos dias mais difíceis), mostrar que nunca se desiste. 
Dou o meu exemplo. Mesmo que não consiga, luto pelo que acredito, sempre ! 

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4 comments

  • Maria do Mundo

    Setembro 26, 2012 at 12:42 pm

    A minha relação com as minhas filhas também foi diferente. Devido ao problema da Guerreira (mais nova) liguei-me muito mais a ela, embora em termos de cuidados físicos tivesse sido muito mais obcecada com a Flor, a primeira. Mas amo-as com a mesma intensidade.
    Quanto ao resto, desistir nunca!

  • Mina

    Setembro 26, 2012 at 9:30 pm

    O amor não tem medida!
    A necessidade e a intervenção é que tem de ser necessáriamente diferentes.
    Chegamos a ter algum sentimento de "culpa", em não conseguir acompanhar da mesma forma os nossos filhos que tem menos dificuldades.
    beijinhos

  • Mara

    Setembro 28, 2012 at 3:28 pm

    Eu acho que nunca educamos da mesma maneira os filhos. No meu caso com 1º é tudo novidade, estava insegura, e o meu mundo girava à volta dele. No 2º já temos alguma experiência mas muito menos disponibilidade. E quando se tem um filho com necessidades especiais como os nossos temos que voltar à escola e vencer medos e inseguranças, e tentamos que eles sejam e tenham as mesmas condições e oportunidades que os outros… Continuamos sempre a cometer erros. Mas ser pai não é ser perfeito, o que interessa é o amor que lhes temos, porque o nosso coração tem sempre espaço para mais um filho. E nós não é para nos gabar temos uns filhos lindos 🙂
    Bjs grandes

  • Grilinha

    Setembro 28, 2012 at 3:44 pm

    Mina, conheço esse sentimento de "culpa"….siiiiiiiiiim…bjs

    Mara, se temos filhos lindos ? Os mais lindos do mundo. Os teus 3 então são os mais sérios concorrentes dos meus aqui no concelho do Seixal !!! Qual deles o mais lindo ??? Bjs

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