Há quatro anos por esta altura vivia o inicio de uma gravidez.
Fui uma grávida feliz, mas por vezes apavorada e debilitada. No dia do nascimento do JP, pelas 39 semanas, tudo se complicou. O JP estava em ligeiro sofrimento e a médica ainda tentou fazer parto normal. Acabou por desistir e o meu filho nasceu já alguns minutos depois da meia-noite do Feriado de 1 de Dezembro.
O meu bebé veio ao mundo sem chorar, sem respirar. Felizmente recuperou minutos depois, arrancou por si próprio todos os tubos e trouxeram-me para conhecê-lo. Não parecia um recém-nascido. Estava atento, muito desperto e com uma pele muito branquinha. No entanto disseram-me que ele passaria a noite na UCI neonatal e, quando recuperei as minhas forças, fui vê-lo pela manhã.
Chorava muito, e quando mo colocaram no colo, imediatamente se calou. Ficou 9 longos dias internado a ser observado. Eu fazia questão de estar sempre junto dele e de pegá-lo ao colo o máximo de tempo possível. Sabia que, se ele queria fazer pela vida, era sabendo que eu estava ali e que o amava. O JP saiu do hospital sem diagnóstico. Agora sabemos que muitos imaginavam que era paralisia cerebral.
O prognóstico parecia terrível. Mas no dia que o trouxemos para casa ele se transformou. Começou a mamar muito mais e a acordar com fome. Nunca o fez no hospital.
Pensei muito em deixar de trabalhar, mas nunca consegui. As contas, as terapias…
Existem e convivem connosco. Pensava e penso muito na qualidade de vida dele.
Os avanços motores do meu pequenino foram feitos devagar, os cognitivos felizmente mais rapidamente, mas acredito que o que fez a diferença foi o nosso vínculo e a minha crença de que só se avança e aprende com prazer e é a mãe que pode proporcionar isso para uma criança atípica. Os primeiros sorrisos surgiram cedo, pelas 7 semaninhas e deram-me muita força.
Eu ainda acho que a melhor reabilitação para um caso grave é conviver com pessoas felizes. Por isso, nunca me entreguei a qualquer depressão, embora ainda tenha dias que sejam muito difíceis.
Quero que o JP continue sonhando, desejando, mesmo o que não seja possível. Pois será esse desejo que irá movê-lo para algum lugar intermediário entre o ponto onde ele está e onde ele desejou chegar.

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26 comments

  • stardust

    Abril 19, 2008 at 11:41 am

    É a primeira vez que cá venho, vim através do Paulo (Serprematuro), estive a “cuscar” alguns posts passados, é realmente uma grande história de amor maternal e uma grande lição de vida.

    A vida por vezes apresenta-nos obstáculos, que vamos ultrapassando, também tivemos alguns, felizmente agora vamos andando como disse algures “em piloto automático”.

    Beijinhos

  • A Loja da Rosinha

    Abril 19, 2008 at 10:35 pm

    Vim fazer uma visita, saber como vão as coisas, deixar um beijinho e dizer que a Rosinha tem novidades.

    Parabéns por este post, gostei muito.

    Beijinhos floridos da Ursa Rosinha

    alojadarosinha.blogspot.com

  • Mocas

    Abril 20, 2008 at 11:34 am

    Fantásticas estas tuas palavras.

  • Anónimo

    Abril 20, 2008 at 6:14 pm

    Lindas palavras as suas.
    Beijoquinhas muito doces!

  • Maria

    Abril 20, 2008 at 6:14 pm

    É mesmo como tu dizes..
    Um grande beijinho para vocÊs.

  • Maria Romeiras

    Abril 20, 2008 at 6:14 pm

    Lindo este post, talvez dos mais bonitos que já te li, e já li muitos e muito belos. Repito-te… “a melhor reabilitação é estar perto de pessoas felizes” e penso como tens razão. Como todos seríamos melhores e ultrapassaríamos os nossos problemas (os pequeninos e os grandes) se a felicidade se transmitisse, contagiante e generosa, de todos para todos. Obrigado, um beijo.

  • tixa

    Abril 21, 2008 at 12:35 pm

    Minha querida pela tua força é que gosto tanto de ti!!!
    A vida nem sempre é perfeita… mas afinal o que é a perfeição? uma coisa da nossa cabeça…
    O medo é normal, mas se há criança que vai ter sucesso e vai ser sempre feliz é o teu JP disso não duvido.
    Um bj enorme

  • Vanessa

    Abril 21, 2008 at 12:35 pm

    És linda…
    Bjs

  • GE

    Abril 21, 2008 at 12:36 pm

    Acreditar é meio caminho andando para conseguir…e mm que não consiga já valeu a pena pelo esforço que fez!

    O JP é um lutador e vai continuar a ser !!

    Bjinhos

  • CláudiaMG

    Abril 21, 2008 at 12:36 pm

    Olá amiga

    Acredito que o JP vai realizar os seus sonhos e aredito também que ele irá sonhar sempre muito e muito.

    Beijinhos

    CláudiaR

  • *Quicas*

    Abril 21, 2008 at 12:36 pm

    Surpresa no meu blog. Espreita!

    :o)

  • Anónimo

    Abril 21, 2008 at 12:36 pm

    Bonito post Grilinha. Vais ver que com o tempo os nossos filhos vão crescendo e nós também, o maior desfio é continuar a acreditar, a amar e a investir nos sentimentos, nas relações, na habilitação e reabilitação e se possível preservar a nossa juventude e força anímica e física para o conseguir.

    Um beijo

  • Tita Dom

    Abril 21, 2008 at 7:46 pm

    Esse teu menino é uma bênção na tua vida.
    Bjs

  • Anónimo

    Abril 21, 2008 at 7:46 pm

    Fiquei deliciada com as tuas palavras grilinha… ai que nem a lagriminha no canto do olho me escapou ;’-) Tu és uma mãe altamente sabias??

    jocas grilinha de estimação

  • Anónimo

    Abril 21, 2008 at 7:46 pm

    Olá minha querida!
    Acreditar sempre hoje tu e a CAR tiraram-me algumas lágrimas, mas de felicidade por saber que vocês são 2 mães lindas e fantásticas
    Beijos
    Beta & Betariz

  • Rita

    Abril 21, 2008 at 7:47 pm

    Com uma mãe como tu o J.P. só pode ser uma criança feliz e vai chegar longe… ai se vai!

  • Anónimo

    Abril 21, 2008 at 7:47 pm

    Uma vez, enquando deambulava pelo hospital na minha hora de almoço enquando fazia o meu estágio de Terapia da Fala no Hospital Garcia d´Orta, encontrei este texto colado na parede do corredor e, a verdade, é que aindsa hoje tem impacto em mim. Não sei se já o conhece de qq forma aqui fica ;). Beijinho, Rita Escalhão.

    O texto inicia-se assim:
    Pedem-me muitas vezes que descreva como é a experiência de criar um filho com uma incapacidade. Para tentar ajudar as pessoas que não sabem o que essa experiência única significa, para poder imaginar o que se sente, deixem-me dizer-lhes algo parecido com o seguinte…

    Quando vamos ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem – a Itália. Compra-se logo uma boa quantidade de livros de viagem e fazem-se os planos maravilhosos: o Coliseu, o Miguel Ângelo, as gôndolas em Veneza, e até se pode aprender algumas frases úteis em italiano. É tudo muito excitante.

    Depois de meses de expectativa, chega finalmente o dia. Fazem-se as malas e lá se vai para o aeroporto, horas mais tarde o avião aterra e a hospedeira chega perto e anuncia, Benvindos à Holanda.

    Holanda? pergunta você, o que é isso de Holanda? o meu voo era para a Itália, eu deveria estar em Itália, toda a minha vida sonhei ir a Itália. Mas houve uma mudança de voo e o avião aterrou na Holanda e tem que ficar ali.

    O mais importante é que eles não a levaram para um lugar horrível, desagradável e sujo, cheio de pestilência, fome e doenças. É só um lugar diferente. Vai precisar de aprender uma linguagem completamente nova, e conhecer um novo grupo de pessoas que nunca teria encontrado.

    É só um lugar diferente, com um ritmo de vida mais lento do que Itália, menos buliçoso e aparatoso, mas depois de lá permanecer mais um bocado de tempo, logo que tenha passado a agitação, vai olhar em seu redor e começa a dar-se conta que a Holanda tem os moinhos de vento, tem as tulipas, e que a Holanda até tem os Rembrandts.

    Mas todas as pessoas que conhece vão e vêm de Itália e todas se gabam das maravilhosas férias que lá passaram, e para o resto da sua vida vai pensar “Sim, era ali para onde deveria ter ido. Era isso que tinha planeado”.

    E essa dor nunca, nunca, nunca mais passará porque a perda desse sonho é uma perda muito significativa.

    Mas… se passar a vida a lamentar-se com o facto de não ter ido a Itália, nunca mais terá o espírito livre para disfrutar as coisas especiais, as coisas maravilhosas da Holanda.
    (Emily Perl Knisley, 1987)

  • Docinho

    Abril 21, 2008 at 7:47 pm

    Só a vossa força… o vosso acreditar… só esse amor faz com que todos os dias dele… sejam uma vitória contra um destino tantas vezes injusto…
    Parabéns aos 3…

    beijo emocionado

  • Anónimo

    Abril 22, 2008 at 8:42 am

    Já deu para ver que o JP sonha com o que é possível e o que não é e que é um menino lutador. As mesmas palavras aplicam-se à mãe. Um beijinho para os dois.

    Cristina
    http://blogs.clubedospais.pt/ccsantos

  • Terra Mãe

    Abril 22, 2008 at 10:55 am

    As tuas palavras deviam ser ouvidas por muitos pais que procuram as alegrias fora do seu corpo em vez de começarem a ouvir o seu coração. Mais uma vez, parabéns.

    Não te esqueças de participar na campanha da Ajuda de Berço e no concurso da Artémis (links na minha TERRA)
    Beijinhos para todos

  • Miguel-100%fã

    Abril 22, 2008 at 9:10 pm

    delicioso,sincero…mas sobretudo apaixonado…é assim q intepreto o teu texto,é assim q te vejo…lutadora e apaixonada…e so quem ama assim como tu,traduz tao bem em palavras a força do verbo amar….
    parabens…gosto de ti!!!

    ps-ausente da escrita,mas sempre q possivel leio as tuas palavras..
    bjos e continuaçao de grandes pprogressos…sei q as vezes parecm lentos,mas eles aparecem !!1
    bjos africanos!!!

  • Ana Paula

    Abril 23, 2008 at 5:35 pm

    E eu vinha aqui dizer-te que já nasceu o meu menino e saio daqui a chorar.
    Admiro-te muito!

  • Silvia

    Abril 24, 2008 at 8:38 pm

    Caminhava pelos baby blogs que conheço quando o nome deste me tocou. Estive a ler por alto e tocou-me, arrepiou-me e só li alguns excertos. Vou voltar para vos conhecer melhor mamã e filhote coragem…
    Beijinhos
    Silvia e Inês
    Nós estamos em http://thereason.blogs.sapo.pt

  • Rosa Silvestre

    Abril 27, 2008 at 9:18 pm

    Olá Grilinha, é preciso acreditar mesmo e pela tua força ficas com um prémio. Beijinhos para ti e para o JP.

  • Dinha

    Maio 1, 2008 at 7:14 am

    Que lindo, amiga Grilinha.
    Lindo mesmo. Não canso de aprender contigo… E que o Caio possa aprender como JP.
    Também acredito que o amor é uma mola transformadora dos piores prognósticos.
    “Quero que o JP continue sonhando, desejando, mesmo o que não seja possível. Pois será esse desejo que irá movê-lo para algum lugar intermediário entre o ponto onde ele está e onde ele desejou chegar.” Tbém desejo o mesmo ao meu Caio. Posso transcrever no Meus Frutos, com teu link?
    Um beijo grande, carregado de admiração.

  • Mae

    Maio 3, 2008 at 10:11 pm

    Lindo post. estou emocionada. bjos para vcs!

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