Hoje o meu papá acompanhou-nos à fisioterapia do JP, para ir aprendendo os procedimentos e para se ir habituando a acompanhar o JP nas suas terapias e libertar-me um pouco. O meu papá é um falso ‘pai desligado’. Se não o procurarmos, ele não liga a nenhum dos três filhos, por sua iniciativa. Se ligamos e o visitamos, ele adora. Está reformado e muito entusiasmado por me poder vir ajudar e ser útil. Creio que também está um pouco receoso. O JP é o seu quinto netinho. Quando soube do seu problema na minha gravidez, aconselhou-me a não arriscar. Queria um neto perfeito. Não valia a pena arriscar, mesmo que as hipóteses de algo correr mal fossem pequenas… Fiquei magoada, mas entendi… Na madrugada em que o JP nasceu, foi o primeiro a chegar ao hospital e quando acordei já estava ali ao meu lado. Perguntei-lhe: “Então, vieste ver o teu netinho?” Ele simplesmente respondeu: “Não, vim ver-te a ti. Tu é que és a minha filha e quero saber se estás bem…” Na altura não percebi, talvez até me tenha caído mal. Hoje sei que ele estava ali para me apoiar. Como sempre. Tem um carro muito velho, por desleixo, preguiça de comprar um novo ou apenas porque não gosta de gastar dinheiro. Eu disse-lhe que gostaria que ele comprasse um novo carro, já que ia transportar o meu filho com frequência e porque sei que ele o pode fazer. Só me perguntou com doçura: “Que carro queres que eu compre, filha?” Amei… Da parte do JP, já sei que o está a tentar seduzir, mas e o vovô? Deixar-se-á seduzir por um netinho menos perfeitinho? Adorava que fizesse com ele algumas das coisas que fez comigo: explicar-me sobre os astros, jogar xadrez, ensinar-me a andar de bicicleta (e se o fizer, o JP terá a honra de ser o primeiro netinho a quem ele o faz) e penso: “Será que também o meu pai vai descobrir as paisagens lindas que tenho visto?” O meu coração transbordaria… 

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