Crónicas das férias ( continuação )
OS PASMADOS
Continuo a achar que parece que neste país se vêem poucos cidadãos com deficiência nos sítios publicos. Como se uma qualquer vida normal fosse interdita a algumas pessoas. E ficassem na sua toca. Sera só impressão minha ?
Daí a curiosidade de muitas pessoas quando nos vêm em família, bem dispostos agindo com naturalidade e fazendo com o JP tudo o que uma família normal faz, dentro de alguns limites, claro.
Praia , piscina , restaurantes , passeios …
Mas dentro destes observadores, há vários graus distintos. E existe uma espécie à qual chamamos “ os pasmados “ .
São os que olham fixamente para nós, sem prestar atenção a mais qualquer outro acontecimento à sua volta. E cujos olhares se tornam incomodativos.
O JP, parece ser de todos o que menos se incomoda. Desde pequeno e 24 h /24 h .. faz parte do dia a dia dele.
O mano Rafael começa agora a ficar bastante incomodado e às vezes irritado com estas pessoas. Eu explico que a curiosidade é normal e que tem de se ter alguma tolerância.
Mas lá está… há limites. E tem vezes que tenho de lhe dar razão.
Como sempre, tudo é razão para nos divertirmos e já temos as nossas “ piadas privadas “. O primeiro da família a avistar um destes espécimes observadores em demasia, diz :
“ Atenção , atenção !!! Mais um episódio da galardoada série “ os pasmados “ .
E risota geral.
Mas lá está. Ser constantemente observado tira a nossa espontaneidade. Já dizia uma qualquer celebridade, que não não olhassem o tempo inteiro ou tirassem fotos à socapa quando ele estivesse com a família, porque todos perdiam a espontaneidade e não se conseguiam divertir e descontrair da mesma forma. Ou seja, há um limite saudável para as curiosidades.
Até porque se eu até tolero, já me chateia ver o mano incomodado com as pessoas a olhar dessa forma para o irmão.
Quando está a ser exagerado, eu entro em campo e olho, da mesma forma … ou seja , fixamente nos olhos das pessoas em questão.
E aí , tenho sempre 2 reações possíveis.
– a pessoa sorri e por vezes até inicia uma conversa e explica o porquê de estar a olhar. Não tem mal nenhum e chega a ser agradável.
Não é incomum conhecermos pessoas muito comunicativas e afáveis nestas situações,
– mas 95 % das pessoas, desvia o olhar, incomodada com o meu . Depois, porque a curiosidade é mesmo doentia, voltam a olhar e tento tanto quanto possível que voltem a cruzar o seu olhar com o meu 😜.
Como este olhar fixo as incomoda, percebem o recado.
Dentro do último grupo, ainda há os que “ nem assim”.
Não acreditam ? Mas acontece !!!
Então , o meu marido aproxima-se e chega a dizer “ A partir de agora vou passar a cobrar bilhete”. 🤣🤣🤣
Remédio Santo !!!
E pronto, a série já tem quase 17 anos, continua firme , sempre com muitas e novas temporadas cheias de imaginação .
Há uma curiosidade saudável em tudo. Eu própria ja o fiz. Mas sempre dei uma palavra.
O porquê de olhar.
E para terminar em beleza, dizer que também já conhecemos pessoas muito queridas entre os curiosos, que muitas vezes só querem oferecer ajuda. E está tudo bem. Gratidão por isso 🙏
Está tudo bem em olhar dentro dos limites razoáveis. Adoramos sensibilizar.
Amamos fazer tudo o que uma família faz e até que algumas pessoas percebam as nossas dificuldades.
Porque é aí que entra a sensibilização e fazemos a diferença.
