Copiei o post da Anita. Ela é uma mãe que me enche o coração de palavras doces com os seus post deliciosos. Não a conheço pessoalmente, mas é de certeza uma pessoa excecional e penso que não me levará a mal que transcreva integralmente um post escrito por ela em que relata uma história, em 19 de abril de 2005, que considero, simplesmente, brilhante, encorajadora e linda:

“Na minha busca frenética de algo sobre este assunto descobri um texto maravilhoso, que vai de encontro aos meus sentimentos, foi retirado do livro “Histórias para aquecer o coração de mães” de Emily Perl Kingsley: “Muitas vezes me pedem para contar como criamos uma criança especial, para ajudar as pessoas que não tem essa experiência única a entendê-la. A comparação que sempre me ocorre é a seguinte: esperar um bebé é como planejar a fantástica viagem com que você sempre sonhou para Itália. Você compra um monte de guias e faz planos maravilhosos. O Coliseu. O David de Michelangelo. As gôndolas em Veneza. Você pode aprender frases úteis em italiano. Tudo é uma festa. Depois de meses de expectativa, finalmente chega o dia da viagem. Você entra no avião e algumas horas depois a hospedeira diz: Bem-vinda à Holanda. Holanda?! Como assim, Holanda? Você se espanta. Meu voo era para Itália, sonhei a vida inteira em ir para Itália! Mas houve uma mudança no plano de voo. Aterraram na Holanda e este é seu destino agora. O importante é que não te levaram a um lugar horrível e desagradável, cheio de epidemias, fome e doença. É só um lugar diferente. Então você tem que sair e comprar novos guias. E aprender uma língua nova. E conhecer pessoas que você jamais teria conhecido. O ritmo é mais lento que o da Itália; a luz menos brilhante. Mas depois de estar lá por algum tempo toma fôlego, olha em volta… e começa a notar que a Holanda tem moinhos… e a Holanda tem tulipas. A Holanda tem até Rembrandts. Mas todo mundo que você conhece foi e voltou da Itália contando maravilhas do tempo passada lá. Pelo resto da vida você dirá: Era para lá que eu deveria ter ido. Era isso que eu tinha planejado. E a dor do seu coração nunca, nunca mesmo, irá embora completamente… porque, afinal, a perda desse sonho é muito significativa. Mas se você passar a vida inteira lamentando o fato de não ter ido a Itália, talvez não possa descobrir e aproveitar o que existe de tão especial em todas as coisas adoráveis que há na Holanda”. Eu estou na fase de procura de novos roteiros, de novos mapas e também de uma linguagem nova, porque eu tenho a certeza que vou aproveitar esta viagem com muito mais empenho, muito mais amor, apreciando cada detalhe, do que faria se tivesse desembarcado no lugar anteriormente desejado. Viva a Holanda…

Obrigado, Anita por palavras tão bonitas. Eu também estou a descobrir a Holanda. Tenho dito.

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